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Pelotas - Cidade antiga -   Adjacência da Praça Coronel Pedro Osório
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Adjacência da Praça Coronel Pedro Osório - Na Cidade Antiga, dentro da região mais central da cidade, apresentamos os prédios adjacentes à Praça Coronel Pedro Osório, dentre eles os mais próximos, como: Mercado Público Central; Escola de Agronomia Eliseu Maciel; Banco Nacional do Comércio, o atual Centro de Integração do Mercosul; Drogaria e Pharmácia Sequeira, depois Drogaria Únicum; Banco Pelotense, atual Banco do Estado do Rio Grande do Sul; e, Teatro Guarany, entre outros que formam o chamado coração da cidade.
O Mercado Público Central.

Mercado Público - atual Mercado Central. - Localização: Praça Sete de Julho. - Dias de funcionamento: Diariamente - Horário Comercial - Telefone para informações: (53) 3225-3733. - Um pouco de sua história:

Construção: 1847, com a aprovação da construção em 1846, foi elaborado o projeto, mas a Câmara Municipal não conseguiu recursos para sua construção. Em 1849, Roberto Offer apresentou à Câmara um outro projeto, considerado de valor exorbitante mas de boa qualidade. Consistia num prédio quadrado, de pátio central com acesso pelas esquinas. A construção destinada às lojas, o pátio ao comércio informal e o centro à primitiva torre do relógio, de material, com abóbada e sotéia (mirante). No período de 1911-1914, o Mercado sofreu uma reformulação profunda em termos de plantas e fachadas, obras dirigidas pelo engenheiro Manoel Itaqui, nesta fase o prédio recebe, além de mudanças de acessos, a torre do relógio e o farol de ferro, importados de Hamburgo, na Alemanha, fazendo uma alusão a Torre Eiffel. Do farol emergia luz de uma poderosa luminária rotativa, que espargia raios para todos os quadrantes. Vista de longe, identificou a cidade por muitos anos. Contam moradores da Cascata e Três Cerros que, à noite, era possível ver o famoso farol do Mercado.  Na planta anterior os acessos eram apenas pelas esquinas em chanfro coroados por um frontão triangular. Já na planta de 1914 o partido e a volumetria modificaram-se, tornando os acessos centralizados nas fachadas e torreões nas esquinas, com suas circulações internas em cruz, com um arcabouço central apoiado em 74 colunas de ferro, com tesouras ligadas por vigorosas vigas de ferro abertas em ogivas e com vitrais nas ogivas laterais. O primeiro prédio é de linhas simples apresentando um ritmo de cheios e vazios marcados pelas vergas em arco pleno no vão das portas. No seguinte os torreões recebem na platibanda ornamentos com guirlandas de flores e frutas em relevo, em estilo Art-Nouveau.  Possui 120 lojas dos mais variados tipos. O relógio e o sino existem até hoje.  Atualmente, continua exercendo a sua função abastecendo a cidade com seus diferentes tipos de produtos.

Fonte destas quatro imagens: Nelson Nobre Magalhães, Francisca Michelon e, Eduardo Arriada.
Entorno da Praça Coronel Pedro Osório - O Mercado Público Central
Mercado Público Central, visto do interior da Praça da República, início do Século XX (1910) - atual Praça Coronel Pedro Osório, na esquina da Rua 15 de Novembro, com Rua Lobo da Costa.   -   foto de Guilherme Almeida.
Mercado Público - atual Mercado Central
Localização: Praça Sete de Julho
Dias de funcionamento: Diariamente - Horário Comercial
Telefone para informações: (53) 3225-3733.
Construção: 1847

Com a aprovação da construção em 1846, foi elaborado o projeto, mas a Câmara Municipal não conseguiu recursos para sua construção.  Em 1849,  Roberto Offer  apre-
sentou à Câmara um outro projeto, considerado de valor exorbitante mas de boa qualidade. Consistia num prédio quadrado, de pátio central com acesso pelas esquinas.
A construção destinada às lojas, o pátio ao comércio informal e o centro à primitiva torre do relógio, de material, com abóbada e sotéia (mirante). No período de 1911-1914, o Mercado sofreu uma reformulação profunda em termos de plantas e fachadas, obras dirigidas pelo engenheiro Manoel Itaqui; nesta fase o prédio recebe, além de mudanças de acessos,  a torre do relógio e o
farol de ferro, importados de Hamburgo, na Alemanha, fazendo uma alusão a Torre Eiffel. Do farol emergia luz de uma poderosa luminária rotativa, que espargia raios para todos os quadrantes. Vista de longe, identificou a cidade por muitos anos. Contam moradores da Cascata e Três Cerros que, à noite, era possível ver o famoso farol do Mercado.
Na planta anterior os acessos eram apenas pelas esquinas em chanfro coroados por um frontão triangular. Já na planta de 1914 o partido e a volumetria modificaram-se, tornando os acessos centralizados nas fachadas e torreões nas esquinas,  com  suas
circulações internas em cruz, com um arcabouço central apoiado em 74 colunas de ferro, com tesouras ligadas por vigorosas vigas de ferro abertas em ogivas e com vitrais nas ogivas laterais. O primeiro prédio é de linhas simples apresentando um ritmo de cheios e vazios marcados pelas vergas em arco pleno no vão das portas.No seguinte os torreões recebem na platibanda ornamentos com guirlandas de flores e frutas em relevo, em estilo Art-Nouveau. Possui 120 lojas dos mais variados tipos. O relógio e o sino existem até hoje.
Atualmente, continua exercendo a sua função abastecendo a cidade com seus diferentes tipos de produtos. - Fonte das últimas quatro imagens: Nelson Nobre Magalhães, Francisca Michelon e, Eduardo Arriada.
Mercado Público no início do Século XX, visto a partir da Praça da República, mostrando três de suas quatro torres das esquinas e no centro a torre central com relógio. A primeira torre, onde atrás aparece o relógio é a que faz esquina na Rua XV de Novembro com a frente para a Rua Lobo da Costa. A torre na esquina à esquerda, no final do pédio é pela Rua XV de Novembro, fazendo esquina com a Rua Tiradentes; e, a torre à direita faz esquina na frente para a Rua Lobo da Costa com a Rua Andrade Neves. Desta terceira torre até encontrar a quarta torre, oculta nesta imagem, é pela na Rua Andrade Neves fazendo esquina com a Rua Tiradentes, no centro deste espaço está a Banca do Peixe do Mercado Público que será mostrada adiante.
Mercado Público no início do Século XX, visto a partir da esquina na frente para a Rua Lobo da Costa com a Rua Andrade Neves, onde vemos a torre desta esquina e no centro desta frente entre as duas torres de esquina, vemos a Banca do Peixe do Mercado Público, pelo lado externo, cujo interior será mostrado adiante.
Nesta imagem vemos a Banca do Peixe do Mercado Público, pelo lado interno, foto também antiga, porém, de época um pouco mais recente, o que se pode observar pelo vistuário das pessoas.
Aqui vemos a frente sul do Mercado Público - ano de 1922, pela Rua Tiradentes entre as Ruas XV de Novembro e Rua Andrade Neves mostrando, na mesma calçada do Mercado, porém, pelo lado de fora, como o costume da época, o Sanitário do Mercado.
Algumas imagens e informações sobre o incêndio em 1969 que destruiu o Mercado Pùblico, como se vê nas legendas.
A mesma foto da esquerda, acima, original.


Foto também antiga, porém bem mais recente, mostrando na frente do Mercado o antigo abrigo de Bondes, agora como Abrigo de Ônibos e Ponto de Táxis; a Rua Logo da Costa e parte do prédio da Prefeitura, adiante, a Rua Andrade Neves e, visto por cima deles, na quadra seguinte, o prédio do Banco do Brasil. O local é atualmente denominado "Largo Edmar Fetter" e nas informações consta como foto de 1990, entretanto, a maioria dos veículos possíveis de identificar seus anos de fabricaçao vão de 1963 (um Simca) a 1970 (Corcel) não se conseguindo visualizar nenhum com data de fabricação posterior, o que nos faz crer que a data da foto pode ser de 1970. - Foto de: Leni Oliveira-1990.
Escola de Agronomia Eliseu Maciel
Antiga Escola de Agronomia   -  Localização: Rua Lobo da Costa   -  Construção: 1881 a 1883.
Localizada em frente ao Mercado Central, pela Rua Lobo da Costa, esquina da Rua Andrade Neves, foi elaborada pelo desenhista e aquarelista Dominique Pineau.  Concebido inicialmente como escola municipal pelos herdeiros do tenente Coronel Eliseu Antunes Maciel, para prestar-lhe uma homenagem, o prédio foi cedido pela Câmara em 1883 para a fundação da Escola de Medicina Veterinária e Agricultura Prática.  Em 1884, foi anexado ao prédio outro bloco para o Instituto Vacinológico no terreno adjacente.  Formado por dois blocos, constitui-se o bloco principal de quatro grandes salas e um gabinete para o diretor.  De características formais ecléticas, é uma construção térrea com porão.  Possui no seu acesso, corpo avançado composto por escadaria, colunas e frontão triangular.  No coroamento, platibanda vazada com globos.  Decoração com inscrições como: Literatura, Ciência, Indústria e Artes que fazem referência à sua função.  Arrematando o frontão, cabeça com raios de luz divergentes, menção à sabedoria.  Atualmente o prédio pertence à Universidade Federal de Pelotas. - Foto do Século XX.
Escola de Agronomia Eliseu Maciel - imagem da mesma época da foto anterior.
   
Esquerda: Sala de Honra - 1926.   -   Direita: Gabinete de Física do Dr. Arthur Brusque. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf.
Uma exposicao em 1949 em frente à antiga Escola de Agronomia Eliseu Maciel
Uma foto recente, de 2014 para simples comparação. - A primeira imagem, anterior, mostrando a Rua Andrade Neves início do século 20, foi tomada a partir do outro lado da Rua Andrade Neves em frente ao Mercado Público.  Nesta segunda imagem, tomada através do Google Earth em 2014, vemos no primeiro plano, uma pista pavimentada, hoje um calçadão, seguido por um passeio central e, logo após, a Rua Lobo da Costa frente à Escola de Agronomia Eliseu Maciel e, à sua direita a Prefeitura.
Banco Nacional do Comércio
 
O edifício que abrigou a filial pelotense do Banco Nacional do Comércio data do ano de 1917. Foi edificado na esquina das ruas: Dr. Urbano Garcia (atual Rua Lobo da Costa) e Rua Andrade Neves, erguido sob os cuidados do Escritório de Engenharia e de Arquitetura do tcheco Josef Hruby, radicado em Porto Alegre.  Banco Nacional do Comércio, ou Banmércio, foi o segundo banco comercial criado no Rio Grande do Sul, iniciou suas operações em 1° de abril de 1895 com o nome de Banco do Comércio. Era uma iniciativa do setor comercial porto-alegrense que passa, a partir dessa década, a se favorecer do crescimento econômico das unidades agrícolas de imigrantes europeus implantadas nosecênios anteriores. Teve envolvimento contínuo na comercialização de produtos através   do   Porto de   Rio Grande,   bem
como no financiamento do comércio e indústria de toda Região Sul, incluindo Santa Catarina e Paraná. Nos primeiros dez anos se restringiu basicamente ao empréstimo sob hipotecas, tendo com isso acumulado  muitos  imóveis  adquiridos  na liquidação de contas de credores inadimplentes. Mesmo assim sobreviveu à crise bancária impulsionada pela quebra do Banco da República em 1900 e pode gozar da melhora de condições a partir de 1906. Em 1910 o banco ingressa numa fase de expansão, abrindo filiais e sucursais no interior e, a partir de 1915, inclusive fora do Rio Grande do Sul nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso e Paraná. Em 1917 passa a se chamar Banco Nacional do Comércio, também conhecido por Banmércio.  Ao lado do Banco da Província e do Banco Pelotense foi acionista e co-fundador, em 1918, da Companhia de Fumos Santa Cruz. Em 1919 chega aos 410 funcionários e quinze agências no interior. Em 1944 possuía 954 funcionários, no seu cinquentenário, em 1945, tinha 89 agências. No final de 1964 era o banco gaúcho com maior rede de agências (136) e no final de 1965 teve a maioria de suas ações adquirida pelo Montepio da Família Militar. No início de 1967 foi o primeiro banco gaúcho autorizado a receber depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em 1972 funde-se com o Banco da Província e o Banco Industrial e Comercial do Sul, dando origem ao Banco Sulbrasileiro.
A sede em Pelotas data de 1917, seus frontões triangulares, sejam os que dão para a Rua Andrade Neves, sejam os que dão para a Dr. Urbano Garcia, atual Rua Lobo da Costa, apresentam ornatos realizados em massa de estuque, representando rocalhas, folhas e zarcílhos de acanto, compoteiras e cartelas que divulgam cabeças estilizadas de leões. Estas remetem tanto ao poder econômico das casas bancárias, quanto à segurança dos negócios efetuados nas mesmas.  Os capitéis de inspiração jônica salientam figuras de deuses greco-romanos que se ligam à agricultura, ao comércio, à indústria, às artes e à sabedoria.  A escolha destes ornamentos na edificação estudada não ocorreu de forma aleatória, uma vez que indica a função primeira do prédio.
As riquezas econômicas pelotenses da segunda metade do século XIX e início do XX, influenciaram na escolha das representações dos deuses que compõem um expressivo conjunto decorativo.   Por se tratar de uma edificação onde as relações ligavam-se às transações financeiras, às questões éticas, de retidão, de desenvolvimento cultural e de progresso político e social fez-se necessária à presença da representação de Febo, ou Apolo, em sua fachada.  Este, aparece entre as volutas portando uma tiara com a representação de âncora, aludindo à navegação, atividade de grande relevância econômica no município naquele momento.
A edificação do antigo Banco Nacional do Comércio de Pelotas integra-se ao conjunto arquitetônico pelotense correspondente ao estilo historicista eclético.  As caixas murais deste edifício contam com a presença de elementos ornamentais modelados em estuque, onde é possível observar a presença de figuras diversas, sendo capazes de identificar, através de uma leitura iconográfica, inúmeras estilizações de figuras como folhas de acanto, volutas, rocalhas, ovários, grinaldas, dentículos e gavinhas.  Outros ornatos como compoteiras, figuras antropomórficas, fitomórficas e zoomórficas contribuem para a beleza da composição.  Seu tipo arquitetônico foi inspirado no Banco da Inglaterra, apropriado à atividade bancária.  Possui dois pavimentos e foi construído em lote de esquina, com acesso principal hierarquizado e localizado junto ao encontro das duas fachadas principais.  De Estilo Eclético, adicionando várias tendências, apresenta capitéis alegóricos com figuras da mitologia greco-romana: Hermes, Apolo, Minerva, Ceres e cabeças de leões na decoração externa, mostrando a influência do Positivismo - filosofia que embasou a Velha República.
Por fim, os capitéis enumerados representam a agricultura, o comércio, a indústria, as artes e a sabedoria e, estão ligados às riquezas cultivadas nos campos pelotenses e aos empreendimentos econômicos realizados pelos estabelecimentos da zona urbana de Pelotas, cujos lucros eram depositados na casa bancária.  Também estavam associados aos "elementos do futuro", pregados pela ideologia positivista.
Atualmente o prédio sedia o Centro de Integração do Mercosul, e está sob a administração da Universidade Federal de Pelotas, que ali desenvolve atividades da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Além disso, possui auditório com capacidade para 60 pessoas.
Fontes e fotos: Fotos de Olhares sobre Pelotas - Yasmine K. Chiminazzo
http://www.ufpel.edu.br/cic/2011/anais/pdf/LA/LA_01377.pdf
Drogaria e Farmácia Sequeira e Drogaria Únicum
Drogaria e Pharmácia Sequeira - Relato contido no livro "Impressões do Brazil no Seculo Vinte", publicação editada em 1913 na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd.
Drogaria e farmácia do sr. Eduardo C. Sequeira - Sequeira iniciou o seu negócio em 1870, fundando a casa que gira sob a sua firma individual. Os negócios da casa são feitos a varejo e por atacado. O sr. Sequeira importa, da América do Norte, Europa e Norte do Brasil, drogas e produtos químicos de toda a sorte, perfumarias, chá (marca Blended, Inglaterra), mercadorias essas que vende por todo o estado. O sr. Sequeira exporta também o Peitoral de Angico Pelotense, de fabricação sua, cuja extração atinge a 30.000 vidros anualmente e que é enviado para quase todos os pontos do Brasil.  O estabelecimento funciona em prédio próprio, construído especialmente para esse fim, e que é avaliado em Rs. 80:000$000. Trabalham no estabelecimento 20 empregados. O estoque da firma, em depósito situado no centro da cidade, é de Rs. 300:000$000; e o movimento anual sobe a Rs. 800:000$000.
Texto: Olhares sobre Pelotas de 3 de junho de 2013, publicação em:
https://pt-br.facebook.com/136187553155125/photos/a.211126975661182.46895.136187553155125/419734058133805/ - Foto: Drogaria e farmácia do sr. Eduardo C. Sequeira, início do século XX. O estabelecimento era responsável pela fabricação do tradicional Pó Pelotense e do xarope Angico Pelotense, conhecidos no exterior. Ficava localizada na rua Andrade Neves,entre a Rua Marechal Floriano e Lobo da Costa. - Fonte: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx.# e http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g41g.htm.
Drogaria Unicum em 1951, na Rua Andrade Neves próxima ao prédio do Banco Pelotense, atual Banco do Estado do Rio Grande do Sul, na esquina da Rua Marechal Floriano. Atente para o prédio da Drogaria Únicum e vejam que ocupa o mesmo prédio da foto anterior, o da Drogaria e Farmácia Sequeira, fundada em 1870. Fonte: http://www.preteritaurbe.com/2015/04/rua-floriano-esq-andrade-neves-em-1951.html - Foto de Josiane Oliveira. Acervo da família.
Banco Pelotense
Banco Pelotense - atual Banrisul  -   Rua Marechal Floriano, 51 -  Construção: 1916

Em 1906, o Banco Pelotense começa a funcionar, inicialmente à rua Andrade Neves nº 169.  Foi fundado em reunião realizada na "Praça do Comércio", por convocação dos Incorporadores Dr. Joaquim Augusto Assumpção, Barão do Arroio Grande, Coronel Alberto Rosa, Plotino Amaro Duarte e Eduardo Siqueira.  Em 1910, muda-se para o pavimento térreo do Clube Comercial.  Através dos arquitetos construtores Peres, Monteiro & Cia, o Banco Pelotense inaugura sua sede própria em 1916.
Decorridos 16 anos de sua inauguração, contava o Banco com 69 agências espalhadas pelo Brasil: 24 no estado e as demais nos outros estados.  É difícil de entender como um banco que desfrutava de tão grande influência nas rodas econômicas do país, teve uma quebra inesperada.  Um mistério interpretado pelos historiadores como uma barganha política, efeito de vingança de pessoa poderosa. O fechamento ocorreu em 05 de janeiro de 1931.
O edifício foi projetado para abrigar as funções administrativas, atendimento aos clientes e residência do gerente e funcionários.
Formalmente de linhas ecléticas, a obra segue uma composição bipartida: o subsolo e o andar térreo correspondem à base, revestida de ornamentos; o primeiro e segundo pavimentos, correspondem ao corpo e são tratados como uma unidade, recuados em relação ao térreo e unidos através de colunas de ordem monumental.  No coroamento, cobertura com mansarda.  Ladeando a porta principal,  duas  cabeças  de leão apoiam a sacada e protegem os medalhões onde se lia o nome do Banco.  Com o fechamento do banco em 1931, o Governo do Estado incorporou o seu patrimônio, inclusive a matriz, hoje agência do Banrisul.
Banco Pelotense, atual Banco do Estado do Rio Grande do Sul, na Rua Marechal Floriano esquina da Rua Andrade Neves. O prédio, na frente, cedeu lugar ao prédio onde hoje é o edifício Glória onde por longos anos funcionaram as Lojas Mazza.
Fonte: http://www.pelotas.com.br/cidade_atracoes/pelotas_atracoes_banco_pelotense.htm.
  
Esquerda: Vista de um gabinete da direção da agência.   -   Direita: Vista de um outro gabinete da direção. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
  
Esquerda: Vista do acesso às dependências da diretoria.   -   Direita: Vista da entrada, guichê recebedor e guichê pagador. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Edifício Glória
Na década de 30 acontece em Pelotas a sua verticalização, esse processo urbanístico começa na área central da cidade. Poderíamos marcar o início deste período com a construção do Edifício Glória em 1934, com mais de 4 andares, o último andar só foi construído em 1946 (note a diferença entre as fotos antiga e atual) e que tinha em seu projeto original cinco andares. Projetado pela firma Dahme, Conceição & Cia., localizado na esquina da rua Marechal Floriano com a Rua Andrade Andrade Neves. A construção de edifícios começa a se intensificar com a popularização do uso do elevador. Nessa leva outros prédios começam a surgir, entre eles o do Colégio Santa Margarida com projeto de Arthur B. Ward Jr. e execução de Affonso Goetze Jr. e a residência de J. B. Barcellos, projeto e execução de Affonso Goetze Jr. - Segundo Andrey Rosenthal Schlee, em sua dissertação de mestrado, este foi o primeiro edifício de Pelotas, projetado com mais de quatro andares. Postal da década de 30 - Edifício Glória - Fonte1: ANNM (LAD/UCPel) - Fonte2: http://www.preteritaurbe.com/2012/11/edificio-gloria.html.
Edifício Glória, Rua Andrade Neves esquina de Rua Marechal Floriano, provavelmente decada de 30 (antes de 1946). Edifício onde funcionou a loja Mazza (térreo). Em segundo plano a esquerda observa-se loja de ferragens Bromberg na esquina da Osório (Atual Lojas Colombo). - Fonte fotografia: internet, do Sr. Pércio Augusto Mardini Farias. - Fonte: http://www.preteritaurbe.com/2012/11/edificio-gloria.html.
Lojas Mazza, no Edifício Glória, construído em 1934 pelo Comendador Rafael Dias Mazza, com frente para a Rua Mal. Floriano esquina com o atual Calçadão da Rua Andrade Neves. Temos ainda, nesta esquina, os prédios da Loja Gang no prédio da antiva Casa do Povo, Farmácia e Drogaria Khautz e Banrisul.
Rua Marechal Floriano a partir da esquina da Rua XV de Novembro, vendo-se na sequência: o primeiro prédio à direita, é o sobrado do Dr. José Ottoni Ferreira Xavier (Dr. Ferreirinha) e Da. Maria de Lourdes de Assumpção Xavier; o sobrado na esquina adiante é o prédio onde está a Casa do Povo (atualmente a Loja Gang; e, o edifício é o Glória onde funciona as Lojas Mazza. - Fonte: Almanaque do Bicentenário de Pelotas.
Nesta foto da década de 1970, ainda pela pela Rua Marechal Floriano, vemos à esquerda o Edifício Glória, com as Lojas Mazza no térreo e, à direita, a Ferragem Rheingantz, adiante o prédio do Banco do Estado do Rio Grande do Sul. - Foto: Volume 3 do Almanaque do Bicentenário de Pelotas.
Outros prédios
Primeiro prédio da Farmácia Khautz, construído em 1870 na Rua Marechal Floriano entre Rua XV de Novembro e Rua Andrade Neves - à esquerda, a fachada do prédio e, à direita o interior em horário de expediente. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Prédio da Importadora Velocino Torres, na Rua Andrade Neves, pouco adiante do Edifício Glória, na mesma calçada, já demolido, hoje abriga a loja Sul Center, no calçadão da rua Andrade Neves. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Rua 7 de Setembro, esquina da rua Andrade, à direita, na esquina prédio do Bule Monstro, hoje um pequeno edifício da Ótica Cristal e à esquerda, a Camisaria Paris Londres do Sr. Germano Korn. na esquina seguinte, a Rua XV de Novembro, vemos o prédio da Associação Comercial de Pelotas e o edifício que aparece, ainda em construção, é o APIP-Associação dos Proprietários de Imóveis de Pelotas, com frente para a Rua Anchieta, o que sugere a data da foto como entre 1946 a 1948 - período em que o prefeito Procópio Duval Gomes de Freitas assinou a permissão para a construção daquele edifício. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Rua 7 de Setembro, esquina da rua Andrade Neves em 1981, mostrando o Chafariz do Calçadão na época de sua recente instalação em 1981, transferido da Praça Domingos Rodrigues (da Alfândega) denominado Chafariz Três Meninas. A foto mostra a Rua Sete de Setembro no sentido oposto à Rua 15 de Novembro, foto anterior. Na esquina à esquerda, o prédio da Poupança Habitação e o da esquida da direita, o prédio da Feira Carioca. Adiante, o prédio da Sociedade Rádio Cultura de Pelotas, PRH4, na ocasião.
  
Esquerda: Construção do edifício Palácio do Comércio, da Associação Comercial de Pelotas em 1939, vista da frente pela Rua 7 de Setembro. - Direita: Construção do edifício Palácio do Comércio, da Associação Comercial de Pelotas em 1939,vista pela Rua XV de Novembro. O primeiro prédio que aparece em primeiro plano é a Confeitaria Gaspar. - Fonte: Projeto Pelotas Memória, Ano 10, nº. 5, 1999.
Rua XV de Novembro, esquina da rua Sete de Setembro, antes da construção do edifício Palácio do Comércio da Associação comercial de Pelotas - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Rua XV de Novembro, esquina da rua Sete de Setembro, a mesma da foto anterior, sentido norte/sul, mostrando na esquina seguinte o prédio do Banco da Província do Rio Grande do Sul, seguido da Praça Coronel Pedro Osório, que aparece só algumas copas de árvores nas bordas e, adiante, o prédio do Banco do Brasil. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Ainda na mesma esquina, Rua XV de Novembro, esquina da rua Sete de Setembro, mostrando a chegada de Zeca Neto na Revolução de 1923. O prédio que aparece na esquina é o da Livraria Universal. - Foto: http://almanaquedepelotas.com.br/almanaque-v2.pdf
Esquerda: O prédio em destaque é a Livraria Universal, de propriedade de Echenique & Cia., fundada em 1887 - Direita: Livraria Universal nos anos 20. A esquina da Quinze com Sete ainda é famosa, mas pelo café e pelos doces. - Fonte: http://pelotascultural.blogspot.com.br/2011/11/edicao-de-livros-em-pelotas.html
Interior da Livraria Universal - foto de 1922
Casa Americana - Rua Quinze de Novembro, esquina da rua Sete de Setembro, na frente do Café Aquário e Livraria Universal
Interior do Salão Rohnelt, localizado na Rua 15 de Novembro, 621. Modernamente dotado de "aperfeiçoados aparelhos para massagem e lavagens de cabeça". - Fonte: Livro "A Cidade de Pelotas - vol.1", Fernando Osorio.
http://www.cultive-ler.com/2013/01/luzir-das-pelotas-em-pelotas.html
Cine Capitólio


O Cine Capitólio após a reforma em 1967, que deixou a fachada com um aspecto modernista. Na época, os brise-soleils (quebrassóis em forma de barras paralelas) eram um ousado recurso arquitetônico, para proteger da luz e calor solar. A foto é do Capitólio, ainda quando como cinema nos anos 90, tendo de um lado o Edifício Ribas e de outro p Edifício Massot.
Cinema Capitólio, em sua decoração original. Vista interna desde a entrada, vendo-se, ao fundo, as cadeiras da plateia. Segundo Heloísa Assumpção (1989) o "Teatro Capitólio" (seu diminuto palco, planejado para o cinema, restringia o teatro a pequenas companhias de vaudeville) foi "construído por Manoel Ferreira, sob supervisão dos proprietários, apresentava, na fachada, larga porta de acesso e duas envidraçadas, serviam para escoamento do público. Dispunha de duas plateias com 1359 lugares e mais 200 balcões e 6 frisas. A farta instalação elétrica fora confiada a Antenor de Barros Farias, ao qual competia o cargo de Antônio Pastro e Filhos, e parte em Pelotas por Barcelos, Farias e Cia Ltda. A sala de espera, que era ornada com belos espelhos chanfrados, tivera-os, como a demais vidraria, instalados por F. Correa e Cia. Ferragens e 'marquises' tinham sido fabricadas por Joaquim Casamitjana. Três bilheterias atenderiam ao público. A direção geral caberia aos proprietários". Data aproximada: entre 1929 e 1930.
RB: CALDAS, 1996, p.100; ASSUMPÇÃO, 1989, p. 246-247/ FI: Cartão Postal. Fonte: Guilherme Pinto de Almeida. Acervo: Eduardo Arriada. Lançamento do Almanaque do Bicentenário de Pelotas Volume II - Data: Dia 26/05 - Horário: 19h - Local: Bibliotheca Pública Pelotense#almanaquedepelotas
Residência de viúva Maria M. Paiva
O prédio na rua 7 de Setembro, 151, construído no século XIX, era residência da viúva Maria M. Paiva. Desde 1948 passou a ser propriedade do Jockey Clube de Pelotas. Parte do andar térreo, com frente para a Rua Félix da Cunha funcionou por longos anos o Café Derby, famoso e quase tão frequentado quando o Café Aquário. Na frente do Café Derby fica o antigo prédio do Fórum.
Asilo de Órfãs Nossa Senhora da Conceição
O prédio do Asilo de Órfãs Nossa Senhora da Conceição foi construído em 1885 na Rua Gonçalves Chaves, 602. Ocupa o quarteirão inteiro, formado pelas ruas Gonçalves Chaves, Barão de Butuí, Santa Cruz e, Princesa Isabel. A rua que aparece à esquerda é a Princesa Isabel. Há muitos anos ocupou parte ou todo o quarteirão adjacente com frente para a Rua Santa Cruz, e fundos para a Rua Barroso, onde tinha sua chácara. Este quarteirão abriga, atualmente, em aproximadamente 30% de sua área, o INSS, no restante há construções de lojinhas e uns poucos edifícios de pequeno porte.
Theatro Guarany
O Teatro Guarani durante sua construção em 1920, em obras inacabadas e ainda sem telhado - Fonte: Gisele de Albuquerque Fratini.
Ainda em construção e sem telhado.
O Teatro Guarani já em pleno funcionamento
Theatro Guarany - Foto da saída de uma sessão vespertina na década de 30.
Localização: Rua Lobo da Costa, 849   -   Funcionamento: O Teatro é aberto somente quando há apresentações artístico-culturais ou com agendamentos.   -   Telefones para informações: (53)3225.7636

Construído entre 1920/21, projeto de Stanislau Szarfarki, Francisco Vieira Xavier, Francisco Santos e Rosauro Zambrano. Contrataram, no ano de 1920 o empreiteiro Paulino Rodrigues para a construção deste teatro.  Durante a obra houve uma mudança de construtor, passando a responsabilidade para a firma Rodrigues & Cia.  Sua capacidade, somando camarotes e platéia, é de aproximadamente 1500 lugares.  Possui mais 900 lugares na "geral" e 25 camarins para artistas.  A grande volumetria do prédio tem na sua fachada figuras e alegorias com motivos indígenas na platibanda vazada e acesso marcado por avanço volumétrico formando um terraço e marquise com linhas sinuosas do estilo Art-Nouveau em ferro e vidro.  Apresenta dois terraços laterais com colunas e pilastras dóricas que abrem portas para o "foyer", para recreio dos ocupantes dos camarotes. Internamente as pinturas do teto originais são de Willy Schmidt e Joaquim Lamas Filho.  As escadarias, com balaustradas de ferro trabalhado em renda, e degraus de mármore acessam à primeira e segunda ordens de camarotes.  Seus materiais vieram de diversos pontos do país e do exterior: a cúpula metálica do teto e mobília do salão e secretaria são de Buenos Aires; a marquise e gradís vieram da Fundição Indígena (RJ); os mármores e o pano de honra do teatro, da Itália; a mobília da platéia e camarotes, de Porto Alegre; as guarnições de veludo rouge dos parapeitos dos camarotes e cortinas, da Colchoaria Pelotense; as esculturas em mármore foram executadas por Angelo Giusti.
Foi inaugurado no dia 30 de abril de 1921 com a apresentação da ópera "O Guarany" de Carlos Gomes, a cargo da Companhia Lírica Italiana Maranti.  A data de 1920, estampada no tímpano do frontão, comemora os 50 anos da estréia desta ópera no Teatro Scala de Milão.  Durante a década de 70, sofreu grande reforma: reduziram o pé direito da platéia com um forro que escondeu as pinturas do teto, perdendo-se assim o "Paraíso".  Atualmente, o Teatro Guarany segue como casa de espetáculos e local de atos solenes, com destaque para cerimônias de formatura.
Em textos extraídos de: "Pelotas Memória - Fasc. V - 1990, de Nelson Nobre Magalhães", encontramos o seguinte:
Na Fase do Cinema Mudo: "A 18 de maio de 1921 inauguraram-se as sessões cinematográficas no Theatro Guarany, com o melodrama "Defraudando o Público", da Foxfilm, estrelado por Enid Markey.  Enorme multidão ficou fora do Theatro esperando a 2ª sessão e sendo vendidas três mil e oitocentas entradas.  A orquestra era regida pelo maestro Raul Moraes".
Inauguração do cinema Sonoro em Pelotas:  "A 17 de dezembro de 1930, a empresa Theatro Guarany e a Paramonut Films, faziam uma sessão especial para a imprensa e convidados, apresentando o aparelho sonoro "Western Eletric".  Inaugurava-se então no Theatro Guarany, com um film-jornal e a opereta "Alvorada do Mar", com Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald, a era do cinema falado".
Nota: 1 - O Maestro Tomeu Tagnin, era também regente da Orquestra no cinema mudo.
Nota: 2 - O aparelho sonoro "Western Eletric" - décadas mais tarde foi substituído pelo Gaudmont Phaté (francês).
Faculdade de Odoltologia
Faculdade de Odontologia de Pelotas - Universidade Federal de Pelotas - Rua Gonçalves Chaves, 457 ao lado do terreno no fundo do Colégio Salis Goulart e que faz esquina com a Rua Tiradentes, na quadra seguinte ao Theatro Guarany, na direção sul. Na direção oeste, o terreno arborizado, cercado com muro faz fundo com o prédio do antigo Colégio Pelotense, depois Sális Goulart, em frente ao prédio dos Correios, pela Rua Félix da Cunha.
Foto: Coleção Clinéa Campos Langlois - Fototeca UFPel-S_D
Residência do Comendador Domingos Rodrigues Ribas
Residência do Comendador Domingos Rodrigues Ribas - Rua Félix da Cunha, 520 - em frente ao prédio dos Correios. O solar foi construído entre 1832-1835 pelo arquiteto português João de Deus Castanheira, contratado especialmente em Lisboa. O proprietário, o Comendador, era de família nobre e cunhado do Conde de Piratini. O Palacete era de dois pavimentos mais camarinha (destruída em 1975), e seguia o modelo do Paço Imperial do Rio de Janeiro. Por duas vezes, em 1865 e 1885, o sobrado abrigou membros da familia real, e o próprio imperador D. Pedro II. Em 1902-1903 a Maçonaria comprou o prédio para ali instalar o recém criado Gymnasio Pelotense, posteriormente Colégio Municipal Pelotense, onde ficou até 1961. Durante o período do Colégio Municipal Pelotense, a camarinha era utilizada como sala de aula de desenho. Após a mudança do Colégio Municipal Pelotense para a Avenida Bento Gonçalves, o prédio foi ocupado pelo Colégio Salis Goulart. Atualmente (2013) não tenho conhecimento de quem o ocupa. Fonte: www.vivaocharque.com.br/albuns/perello/perello04/perello04.htm. - Livro Gynásio Pelotense pág. 5/97
Residência do Comendador Domingos Rodrigues Ribas - Rua Félix da Cunha, 520 - Gynásio Pelotense - uma sala de aula. Fonte: www.vivaocharque.com.br/albuns/perello/perello04/perello04.htm. - Livro Gynásio Pelotense pág. 4/97
Residência do Comendador Domingos Rodrigues Ribas - Rua Félix da Cunha, 520 - Gynásio Pelotense - Colégio Pelotense.
Correios e Telégrafos
Edifício dos Correios e Telégrafos do Brasil - O edifício inaugurado em 1938 apresenta uma forma prismática única e compacta. É implantado em uma fatia de quarteirão que compreende duas esquinas: da rua Tiradentes com a rua Pe. Anchieta e com a rua Félix da Cunha.  Possui três faces voltadas ao domínio público, duas delas recuadas do alinhamento predial (Rua Félix da Cunha e Rua Pe. Anchieta).  Apresenta janelas em sequência rítmica e portas posicionadas simetricamente.  Possui dois acessos ao público pela rua Félix da Cunha, três acessos ao público pela rua Tiradentes e dois acessos e um portão de garagem restritos pela rua Pe. Anchieta.  As fachadas principais do edifício foram segregadas para que se pudesse evidenciar as unidades em escala, desde o todo do edifício, até as unidades elementares.  A partir dessa sequência de segregação dos elementos constituintes da forma do edifício, podem ser percebidas as regras que estruturam sua composição por nível.  No todo do edifício, percebe-se que a regularidade e a simetria bilateral, principalmente, dominam o desenho.  Não há um elemento central de destaque, mas elementos idênticos que marcam os acessos e as esquadrias principais do edifício.  Visualizando o edifício divido em partes percebe-se que os destaques dos elementos de composição mencionados são ainda enfatizados por "efeitos de escorço" ou "foreshortenings".  Os planos dos acessos do edifício já na silhueta do todo destacavam-se, sobretudo por diferenciação de altura. Agora é mostrada sua evidência através do seqüenciamento de planos.  Esse recurso causa um efeito perspectivo: os acessos parecem, assim, estar em planos bem mais a frente do que o restante do edifício.  A ênfase nos acessos simboliza um convite ao usuário a entrar no prédio e conferem-no um caráter de monumentalidade. No nível dos elementos de arquitetura podemos perceber que o agrupamento de três em três predomina.  Há regularidade e simetria. Além disso, verifica-se a geometrização dos elementos.  As janelas e portas são retangulares e cobertas por lajes finas que se projetam como pequenos beirais.  Há estrias verticais e molduras de concreto nas esquadrias dos acessos.  A simetria, o ritmo e a regularidade já verificados nos desenhos do todo e partes do edifício são reafirmados pela disposição e desenhos dos elementos de arquitetura.   Nesse nível, contudo, é que a estilística protomodernista começa a se afirmar.  Se até os níveis anteriores (do todo e das partes) a silhueta do edifício ainda aproxima-se de do Ecletismo ou do Ecletismo tardio, em função de sua composição clássica acadêmica, aqui, com as esquadrias e os elementos geometrizados, o edifício já anuncia que pertence a outra estilística.  As janelas não têm bandeira.  Os balcões que se projetam no segundo pavimento são cheios, e não mais vazados com balaústres ou gradis de ferro.  A figura predominante é o retângulo e o quadrado. Esses elementos de arquitetura como balcões são dispostos nos elementos de composição de destaque, assim como o letreiro original do edifício, já substituído.  No nível dos detalhes, ornamentação e textura, podemos perceber a depuração formal dos edifícios protomodernistas.  As texturas das fachadas ficam restritas a linhas e estrias horizontais que arrematam a platibanda do edifício, ou são linhas que se salientam da fachada como um elemento a enfatizar a horizontalidade do prédio. Essas poucas linhas horizontais, levemente salientes contribuem no contraste aparente entre o volume horizontal do edifício com os volumes centrais de visível marcação mais forte, com elementos mais espessos e maiores. Esse contraste reforça a hierarquia do prédio, conferindo destaque aos acessos. Assim, podemos perceber que o edifício composto por regras de composição já utilizadas na arquitetura tradicional da cidade, apresenta simplicidade e equilíbrio, além de simetria bilateral e regularidade, tanto na composição do todo e das partes como na disposição dos seus elementos de arquitetura.  A ornamentação simples, linear e marcante contribui com essa leitura.  A esse edifício podemos conferir um alto grau de pregnância.  Dado que esse edifício mantém relações formais com a arquitetura precedente, regras de composição clássicas, e sua ornamentação e elementos arquitetônicos são simplificados a um nível de figuras geométricas elementares, pode-se afirmar que possui também um alto grau de legibilidade, já que sua forma no todo até os detalhes está fortemente vinculada pelas mesmas regras e a geometrização e simplificação das formas simplifica a identificação dos objetos.  Não é necessário um largo repertório cultural para "ler" um edifício como esse.  Não apresenta forte ornamentação nem regras compositivas de difícil apreensão.  As categorias semânticas mais evidentes nas fachadas do edifício são: harmonia, equilíbrio e contraste. A harmonia é verificada pelo equilíbrio na composição das partes do edifício, na ordem da distribuição das esquadrias principais de acesso ao prédio, nos elementos de destaque do edifício e na regularidade na distribuição da outras esquadrias, que seguem um alinhamento e uma proporção. Atribuem-se as três características semânticas mais evidentes no edifício dos Correios e pode-se afirmar que ele é muito pregnante, harmônico e coerente.   O edifício dos Correios apresenta uma tipologia tradicional de edifício institucional.  Um esquema de composição que tem como regras gerais a simetria e a regularidade. Nesse esquema básico geral as entidades se distribuem de forma ordenada, tal qual ocorria na arquitetura tradicional anterior.  Com a evidenciação das características das fachadas por escala pode-se verificar que o edifício apresenta um caráter austero e imponente, típico de edifícios institucionais do período quando foram construídas algumas edificações institucionais protomodernistas em Pelotas.  Trimorfismo, ordem e regularidade conduzem a percepção dessa austeridade e monumentalidade.  A manutenção das transparências em elementos de arquitetura autônomos como as esquadrias conduzem a um vínculo com o entorno tradicional.  A granulometria, do todo (altura e volume como um todo), das partes compositivas, dos elementos (janelas, portas, balcões, marquises) são proporcionais a elementos tradicionais.  Ao mesmo tempo, a depuração e geometrização dos elementos, a simplificação formal e predominância de figuras geométricas elementares como quadrados, retângulos e linhas formando estrias e frisos conduzem a um processo de modernização da arquitetura.  As linhas usadas na ornamentação do edifício são retilíneas e segmentadas apenas quando encontram ou cruzam outras linhas em outro sentido.  A textura dos planos é lisa, já que o edifício apresenta pouca ornamentação ou materiais rugosos.  Os volumes sugerem peso e opacidade, densidade e perenidade do edifício conduzindo a idéia de permanência, estabilidade, repouso.  Nesse sentido pode-se associar a forma do edifício a idéia de conservadorismo, austeridade e autoridade.  Entretanto, ainda que no nível dos elementos e texturas, as linhas retilíneas e a purificação formal são uma contraposição a essas idéias, sugerindo certo movimento e velocidade conferidos pela aceleração e rapidez com que se apreende a forma.  No todo do edifício, e até mesmo nas partes compositivas, podemos verificar uma aproximação maior em relação aos estilos precedentes do Ecletismo e Ecletismo tardio do que nos elementos de arquitetura e ornamentação.  Mesmo assim, pensa-se que a filiação de um edifício protomodernista a um estilo que não seja o Art Déco pode ser apressada, já que essa conciliação entre modificação formal e inserção de um novo código é característico dessa estilística.  As esquadrias em ferro (basculantes) e os motivos geométricos nos elementos arquitetônicos e ornamentação também aproximam esse prédio do estilo Art Déco.  No total são 47 janelas e três portas na fachada da rua Tiradentes; 26 janelas e duas portas na fachada da rua Félix da Cunha e 18 janelas, duas portas e um portão de veículos na fachada da rua Padre Anchieta.  Apresenta um coroamento de platibanda com cobertura escondida.  Pode-se classificar sua expressão em simples e monumental.  Expressa o futuro, mesmo que sua composição Beaux-arts seja acadêmica e se mantenha vinculada a arquitetura tradicional da cidade.  Sua tipologia funcional característica é de edifício de uso coletivo - edifício institucional.  A simplicidade é evidenciada pelos seus elementos de arquitetura (esquadrias, platibandas, marquises e balcões), geometrizados, menores e mais simplificados do que na arquitetura do Ecletismo.  A pouca ornamentação confirma essa simplificação promovida pelos elementos de arquitetura em contraste com a monumentalidade das partes e do corpo do edifício como um todo.  Tendo em vista que esse edifício faz parte de um plano nacional de reequipamento de infra-estruturas federais, prédios semelhantes serão encontrados em outros locais do Brasil.  O estilo protomodernista ou Art Déco foi utilizado para muitas dessas obras.  Nos dois acessos ao público que o edifício oferece (pelas ruas Félix e Tiradentes), há ênfase e destaque da volumetria central da composição tripartida.  No acesso restrito aos serviços, mesmo a fachada apresentando tripartição,  o acesso não se dá pelo centro.  Já na escala dos elementos de arquitetura e dos detalhes, o edifício apresenta-se menos ornamentado e os objetos já se mostram mais depurados, geometrizados e simplificados como as marcações de arestas, cornijas, beirados, frisos, molduras de esquadrias.  A platibanda é reta, com arremate de aresta e cornija simplificada.  As pestanas e linhas marcam e acentuam arestas ora intensificando horizontais, ora evidenciando as verticais.  O edifício possuía originalmente esquadrias em ferro com caixilhos de vidro.  As portas possuíam estrutura e caixilharia de ferro e apresentavam decorações de motivos geométricos com influência do Art Déco.  As janelas basculantes em ferro são um elemento de diferenciação de edifícios do Ecletismo e de alguns do Ecletismo tardio e Protomodernismo, que ainda utilizavam esquadrias em madeira.
-> Contexto:  O edifício dos Correios é um indicador da modernização da cidade de Pelotas, e do Brasil como um todo, na "era Vargas".  Participa de uma narrativa que compreende a cidade, a região e o país: a modernização das instituições públicas federais e a extensão do estado pelo país, levado a cabo por reformas nacionalistas.  Isso ocorreu também em outros países.  Nesse sentido a obra pode ser um dos edifícios signos da chegada da Modernidade na cidade (esperada e ao mesmo tempo contida).  A forma do edifício expressa, a partir de seus elementos, a Modernidade geométrica e simplificada do Art Déco com a austeridade e imponência acadêmica.  Parte de um pretensioso plano de modernização das instituições do estado levado a cabo por Getúlio Vargas, os "projetos-pacote", como eram conhecidos os projetos arquitetônicos padronizados desses edifícios em praticamente todo o Brasil, apresentavam uma linguagem arquitetônica pretensamente moderna.  A introdução do uso do concreto armado no Brasil (mesmo que de forma gradiente e desigual em termos geográficos e temporais) possibilitou não só a difusão do ideário modernista com a possibilidade de maiores vãos livres, mas também a utilização desse material para a inserção de elementos de arquitetura como balcões, marquises, frisos, beirados, terraços, pilares, dentro de um repertório formal específico nos edifícios desse período.  No edifício dos Correios, a partir da vista das fachadas, é clara a utilização do concreto armado nesses elementos específicos e na decoração.  Uma edificação como a dos Correios apresenta tipos de valor diferentes.  Se, para o olhar retrospectivo atual, a rememoração de um edifício que foi importante como marco de um período histórico definido para a cidade, o estado e o país devese atribuir um valor histórico rememorativo, pensa-se que o edifício dos correios também deve ser preservado pelo seu valor de novidade, ou de contemporaneidade, pela idéia de futuro que se lhe atribuía no seu tempo de fundação.  Modernidade, das décadas de 1930 e 1940, foi estetizada pela linguagem protomodernista.  A modernização teve uma agenda específica no Governo Vargas.  Mesmo operando com um ideário nacionalista e totalitário, decidiu-se por esta linguagem Déco para transmitir a idéia de progresso, avanço, futuro e Modernidade.  Um edifício monumental e ao mesmo tempo simples, acadêmico, tradicional e conservador, e ao mesmo tempo "moderno" e progressista como esse se adequava bem ao projeto de poder populista e nacionalista de Vargas em uma estratégia de progressismo conservador a partir de um Modernismo conciliador.
Fonte: http://prograu.ufpel.edu.br/uploads/biblioteca/silveira_junior_antonio_carlos_porto_referencia_midia_e_projeto_-_compreendendo_a_estetica_da_.pdf
Outros prédios na região adjacente
Catedral do Redentor (Igreja Cabeluda) Rua Félix da Cunha esquina Gal. Teles. Foto sentido Norte/Sul, a partir da Rua Tiradentes (a rua dos Correios) no sentido Sul (Oposto à Praça Cel. Pedro Osório)
Pelotas - Cidade antiga   -   Adjacência da Praça Coronel Pedro Osório